Demorou quatro anos a ser escrito e quase três horas a ser apresentado. O livro A Geração de Ouro, escrito por Hugo Sarmento e Duarte Araújo, foi apresentado esta segunda-feira na Faculdade de Motricidade Humana. A viagem ao processo que revolucionou o futebol português, como lhe chamam os autores, tem 515 páginas e em cada uma delas horas e horas de trabalho, emoções incontáveis e histórias que vão muito além daqueles anos de 1989 e 1991, em que duas equipas de sub-20 conquistaram títulos Mundiais de futebol para Portugal, comandadas por Carlos Queiroz.

A cerimónia de lançamento do livro foi simples, mas rica. Rica em amor e amizade. Na partilha de valores comuns e no revivalismo de um grupo que se transformou em família. «Há um futebol português antes de Carlos Queiroz e destes títulos e um futebol português depois de Carlos Queiroz» – desta forma se resumiria numa única frase o que foi sendo dito ao logo da tarde, e seria tão pouco para o tanto que foi dito no auditório da FMH.

«Há muitas coisas bonitas para dizer, ouvir e ver», prometia na introdução o presidente da FMH, Luís Bettencourt Sardinha, para quem estava prestes a viver-se «um dia de festa para celebrar algo histórico no desporto em Portugal». Se as palavras pareciam otimistas para o que é o tradicional lançamento de um livro, acabaram por ser curtas para o que se seguiu e que acabou por ser uma homenagem à história. Daquelas equipas, daqueles jogadores que ali se reuniam, da «liderança, capacidade de organização e planeamento», dizia Luís Sardinha, e de uma amizade eterna entre a dupla técnica de sucesso Carlos Queiroz e Nelo Vingada, sentados à distância de várias cadeiras devido à Covid-19, mas juntos no abraço que não puderam dar.

«Há coisas que não estão escritas nos livros, pelo que desafio Carlos Queiroz e Nelo Vingada a estarem presentes na aula inaugural do nosso mestrado em futebol, pois o que têm para partilhar ajudará a fazer os nossos alunos mais ricos», convidou Sardinha a encerrar o primeiro discurso e antes de passar a bola a Mirandela da Costa, que prefaciou a obra e, ficaram a saber os menos informados, esteve na origem do sucesso que as seleções jovens portuguesas viriam a conquistar.

«Este sucesso não foi obra do acaso. Carlos Queiroz representa a união da integridade teórica com a prática do saber. Há discursos maravilhosos, mas difícil é fazer», destacou, lembrando os tempos em que foi preciso atuar praticamente na clandestinidade – ou em trincheiras de combate – dentro do então ISEF (Instituto Superior de Educação Física) para criar um departamento de futebol. Dessa altura lembra-se de ter sido um tirano: de ter formado uma equipa de futebol e de ter posto a trabalhar os alunos ao fim de semana. Não havia folgas, mas havia paixão pelo jogo e vontade de aprender e aplicar o conhecimento.

De entre os campeões de Riade e Lisboa muitos marcaram presença, outros não conseguiram ir. Figo, por exemplo, deixou uma mensagem em vídeo, a que assistiram, na sala, Amaral, Bizarro, João Oliveira Pinto, Gil, Jorge Couto, Abel Silva, Paulo Madeira, Cao, Tó Ferreira e Paulo Pilar

Hugo Sarmento, um dos autores do livro – aquele de quem partiu a ideia – assumiu que a obra era um tributo à história e mostrando-se conhecedor de cada um dos depoimentos recolhidos conduziu durante mais duas horas uma partilha enriquecedora de experiências (ver outras notícias). O professor da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra destacou como pontos de partida para o sucesso das seleções nacionais em 1989 e 1991 o «incremento da formação académica e técnica», a «identificação e desenvolvimento de talentos» e a criação de uma «identidade coletiva de grupo e uma mentalidade vencedora».

Foi então a vez de Carlos Queiroz ser chamado para, simbolicamente, receber uma cópia do livro, que bem poderia ser a epopeia da sua carreira…

‘A Geração de Ouro’ – o livro da revolução no futebol português
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