O mundo está de olhos postos no Afeganistão a chorar um drama horrendo com o regresso abrupto ao poder dos talibãs, que governaram o país entre 1996 e 2001, depostos pela enérgica resposta norte-americana aos atentados do 11 de setembro, que resultou numa caça sem fim a Osama Bin Laden.

Passaram 20 anos de ocupação, até que Joe Biden ordenou uma retirada das tropas e conduziu a este avanço sem freio das forças talibãs até Cabul, que carregam a mortandade das execuções. Imagens de um caos catastrófico, de medo e angústia perante violações da ordem, privações da dignidade, uma derrota da vida perante uma interpretação abusiva do islão, a sharia, que esmaga direitos e atira a mulher para uma posição vexatória, onde só cabem pesadelos e onde o pesadelo maior é o retrocesso da humanidade.

Se qualquer cidadão olha sobressaltado para as imagens que chegam do Afeganistão, aqueles que têm lá as suas raízes, que ostentam estatuto de refugiado, colapsam nessa procura de alguma informação como conforto.

Hamid Taheri está em Portugal há 12 anos e leva a sua carreira de jogador na AF Lisboa. Está, agora, de regresso ao Bobadelense, tendo começado a sua aventura em Portugal precisamente na Bobadela, em Loures. Tinha 16 anos. Já passou por Atlético da Encarnação, SC Sanjoanense, Atlético Povoense, Pinheiro Loures e Vila Rosário. Com a vida organizada, a correr de feição no nosso país – joga e trabalha na restauração – e mesmo longe de Cabul desde os 4 anos Taheri não contava com esta invasão de aflições a quase 9000 quilómetros de distância. Os demónios da guerra atormentam a alma.

«Não esperava nada disto, foi tudo muito repentino e inesperado. Há um mês estava tudo bem, há duas semanas também parecia tudo bem. De uma semana para cá foi tudo muito intensivo. Os americanos saíram e eles entraram logo em Cabul. Tudo muito estranho. São imagens tristes que nos fazem chorar. Não choro tanto porque tento nem ver», desabafa o defesa-esquerdo, numa luta exasperante pela verdade, cruel que seja.

«É preocupante, tenho primos e tios em Cabul»…

Leia na íntegra na edição impressa ou digital de A BOLA.

Drama afegão visto a partir da Bobadela
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