Ciclismo

03-08-2021 13:57

Na véspera de se iniciar a Volta a Portugal, Joaquim Gomes, diretor-geral da competição, em entrevista a A BOLA, conta em pormenor tudo o que se vai passar em redor da corrida.

– Como analisa globalmente o percurso da Volta a Portugal?

– Estamos perante um percurso exigente e não vale a pena criticar se abrange ou não todas as regiões do País, porque devido ao número de dias que a prova tem nunca mais iremos recuperar o que tínhamos há muitos anos. Com cinco chegadas em alta e média montanha, os trepadores dispõem de alguma vantagem.  

– Num percurso por estradas que todos conhecem, onde poderão surgir as  surpresas?

– Os pontos fortes estão apontados à Torre e à Senhora da Graça, mas existem etapas que podem dar a volta à situação. Num passado recente, houve um ciclista que vestiu a camisola amarela no primeiro dia e nunca mais a largou. O final em Setúbal não vai ser fácil, porque a subida da Arrábida, com entrada pela praia da Figueirinha, vai eliminar alguns velocistas, a passagem pelo Retaxo, antes de Castelo Branco, a subida de Golães, às portas de Fafe, e a Serra da Nogueira, perto de Bragança, provocam um acréscimo de interesse, mesmo que um sprinter razoavelmente bem preparado possa ultrapassá-las sem grandes dificuldades. Atenção que a etapa de Bragança, além de ser a mais longa, é bastante exigente e pode acontecer que o pelotão chegue fracionado à meta.

– Estrategicamente o Baixo Alentejo e Algarve vão continuar fora da rota…

– A Volta a Portugal tem algumas particularidades que convém esclarecer. O Algarve é uma região turística por natureza e em finais de julho e princípios de agosto os hotéis encontram-se lotados, situação que cria enormes problemas na logística de alojamentos. Por outro lado, os municípios algarvios nesta altura do ano não se encontram muito disponíveis para investir na Volta. Agora não precisam dela para nada, ao contrário do que acontece com a Volta ao Algarve, que acontece numa sazonalidade turística de promoção e que devido às datas consegue um grande impacto devido ao elevado número de grandes figuras que nos visitam. Gosto imenso do Algarve, onde ganhei duas Voltas, representei uma equipa algarvia e a região dispõe de duas grandes equipas, mas nesta conjuntura e altura do ano o nordeste transmontano desperta mais interesse do que a região algarvia em agosto.

   

– Devido às restrições impostas pelo Covid-19, como vão ser as partidas e as chegadas e que conselhos pode transmitir ao público?

– A situação atual não permite que se regresse já este ano à normalidade, iremos adotar todas as medidas impostas pela Direção-Geral de Saúde, sabendo-se que nem todos os concelhos têm o mesmo nível de risco e restrições, situação que nos obriga a utilizar medidas ligeiramente distintas em algumas das localidades que tenham partidas e chegadas. Iremos ser muito rígidos com a zona zero, que serve de proteção aos ciclistas e staff, sabendo que ao longo do percurso vão existir mais pessoas que aquelas que a DGS desejaria. A epidemia não acabou e têm de ser adotados todos os procedimento que mantenham a segurança dos que vão estar envolvidos na Volta a Portugal, com uso de máscara obrigatório e distanciamento social. Face às restrições impostas, aconselhamos a que acompanhem a Volta Portugal através da televisão e outros meios da comunicação social. 

– Quais as regras que se encontram definidas na eventualidade de existirem casos positivos de Covid-19 na caravana ou nas equipas?

– O plano sanitário está perfeitamente definido. No caso de surgir um caso positivo na caravana essa pessoa será imediatamente isolada e depois procurar-se-á saber as linhas de contágio e com quem contactou, o que poderá obrigar a colocar mais gente em isolamento. No caso das equipas será a mesma coisa. Se for um corredor ou um elemento do staff, a situação será avaliada pelo médico da equipa, coordenador do plano sanitário da Volta e delegado de saúde local. Depois de avaliadas as linhas de contacto, se houver uma equipa que tenha de ficar de fora já nem sequer vai à partida nesse dia. Irão ser realizados dois testes SARS-CoV-2, um antes da corrida se iniciar e outro no dia de descanso.

 

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«Volta a Portugal ainda não pode ser como era»
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